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Tecnologia capixaba cria supercafé que resiste à seca

Pesquisadores capixabas desenvolveram planta que se multiplica de modo mais rápido
A união de duas tecnologias inéditas e de origem capixaba promete revolucionar o cultivo do café conilon no Brasil. A primeira é uma planta mais resistente à falta de água e a segunda vem em conjunto com ela: se trata de uma técnica que faz a multiplicação dessa nova variedade de café ser até 50% mais rápida que as já existentes.

Ambas estarão a serviço do produtor, mas também farão a diferença para os apaixonados pelo famoso cafezinho. A associação desses dois melhoramentos resultará em uma colheita com pouca variação anual, mesmo em períodos de estiagem, como a seca que o Estado passa desde 2013. Com isso, o café produzido terá melhor qualidade.

O Espírito Santo é responsável por produzir mais de 75% dos grãos de conilon do país. Por causa do grão, de acordo com o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), são 78 mil famílias produtoras gerando 250 mil empregos diretos e indiretos no campo.

“A seca causou a perda de mais de 50% da produção do Estado. Com essas mudas, se houver problema de falta de água, o produtor conseguirá ter uma colheita satisfatória e se manter no campo. E com a clonagem o tempo para refazer a plantação será reduzido”, destaca o diretor-técnico do Incaper, Mauro Rossoni Junior.

Variedade

Foram mais de 30 anos de estudos até chegar à nova variedade de conilon chamada de “Marilândia ES8143”, em homenagem à cidade espiritossantense que se tornou a capital do café. O resultado final foi obtido após a análise de mil diferentes plantas em três municípios que representam a diversidade dos relevos do Estado: Marilândia, Sooretama e Cachoeiro de Itapemirim.

De acordo com o coordenador do Programa Estadual de Cafeicultura, Romário Gava Ferrão, o processo gerou uma variedade formada por 12 clones com tolerância à seca.

Comparada às plantas existentes, a “Marilândia ES8143” é resistente a temperaturas até 3º C mais elevadas e a aproximadamente 50% menos precipitações. E ainda terá produção aproximada 17% maior que as variedades já existentes, sob as mesmas condições climáticas.

“A planta tem alta produtividade em condição de seca ou com irrigação e estabilidade de produção diferente do que ocorre nas variedades que temos – onde a colheita de um ano é maior que a do outro. Além disso, tem tolerância à doença da ferrugem, qualidade de bebida superior e bom rendimento de beneficiamento de pila. Ela é recomendada para todos os municípios capixabas”, explica Ferrão.

Jardim clonal

O pesquisador e desenvolvedor do jardim clonal – onde se desenvolvem os clones –, Paulo Sérgio Volpi, explica que antes o processo de produção da muda até a primeira colheita demorava 5 anos. “Conseguimos reduzir para no máximo 3 anos e meio. Era preciso esperar 2 anos para retirar a estaca e começar a fazer muda. Agora serão apenas sete meses”, comenta.

Para retirar o material para fazer as mudas, as estacas, os viveiristas precisam, na semana seguinte ao lançamento – que será na próxima sexta-feira –, se cadastrar nos escritórios do Incaper. Além desses benefícios, a planta produzida será mais vigorosa, com mais êxito na sua produção independente do período do ano.

ENTENDA

Resistência
A nova variedade será mais resistente à seca e a altas temperaturas.

Preparo
Em até 3 anos e meio as novas mudas estarão produzindo. Antes, levava 5 anos.

Estudo
Foram necessários 30 anos de pesquisa para chegar a esse resultado.

Fonte: Gazeta Online