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Brasil é sétimo maior produtor mundial de ovos

Produção atinge 39 bilhões de unidades, mas consumo per capita está abaixo da média mundial. Distrito Federal tem uma das granjas mais modernas do país em incubação e pintos de um dia

A produção brasileira de ovos totalizou 39 bilhões de unidades em 2016, um recorde que colocou o Brasil como sétimo maior produtor mundial. Quase tudo é consumido dentro do país e contribui para o aquecimento do mercado interno. Apesar de ter registrado um aumento de quase 40% desde 2010, há potencial para o consumo per capita aumentar muito no país. Atualmente, os brasileiros comem 190 unidades por ano. A média mundial é de 230, mas bate 300 ovos por pessoa em vários países, como China, Dinamarca e México. 

Em 2010, o brasileiro consumia 137 ovos por ano. Sete anos depois, o número saltou para 190, crescimento de 38,6%.“O consumo per capita do brasileiro é expressivo, mas o setor ainda tem muito espaço para crescer no país”, sentencia Ricardo Santin, vice-presidente de Mercados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e presidente do Instituto Ovos Brasil, entidade criada em 2007 com o objetivo de disseminar as propriedades nutricionais do ovo e promover o consumo do produto.

Embora as exportações dos ovos brasileiros representem menos de 1% da produção nacional, o produto está em todos os continentes, presente à mesa de consumidores de 22 países. Recentemente, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) anunciou a abertura da África do Sul para o alimento brasileiro. A medida possibilitará os embarques de ovos in natura e processados para um mercado de 56 milhões de potenciais consumidores.

O Brasil também não importa ovo. O consumo interno do produto conseguiu sustentar as cotações do mercado, mesmo em tempos de crise ou quando o preço de insumos, como o milho, imprescindíveis para a produção, estiveram em alta. Segurança, qualidade e confiabilidade permeiam a cadeia produtiva do ovo brasileiro, garantindo, assim, segurança para os consumidores, em geral. “A exportação fraca significa um mercado interno forte e em crescimento, que está absorvendo a produção do país”, afirma Ricardo Santin.

Cabe ao Instituto Ovos Brasil incentivar o consumo de ovos. A ideia é qualificar o produto, baseado no valor nutricional do alimento, já que o mito de que o ovo deve ser consumido com moderação acabou retraindo o mercado interno. “Se uma pessoa comer 12 ovos por dia, o único risco que ela tem é de ganhar uma medalha olímpica. O consumo de ovo diariamente não faz mal algum”, explica Santin.

Há alguns anos, o alimento era considerado responsável pela elevação dos níveis de colesterol ruim. Agora, são novos tempos para o ovo, que assumiu status de alimento completo, o segundo melhor atrás apenas do leite materno, tais a quantidade e a qualidade de nutrientes presentes. “O ovo é riquíssimo em proteína de alto valor biológico, sendo responsável por todas as formações de células do corpo, mas não se deve comer somente a clara. A gema também ajuda na absorção de todas as substâncias”, diz o nutricionista esportivo Daniel Novais.

Excelência

As exportações brasileiras de ovos férteis e pintos de um dia estão em alta. O material genético avícola nacional é vendido para 25 países e movimentou cerca de US$ 107 milhões em 2016. O rígido controle sanitário nas granjas do país é um dos fatores primordiais para o aumento na demanda do mercado internacional pelo material produzido no Brasil. A excelência sanitária se traduz pela capacidade técnica e operacional do país em executar as recomendações da Organização de Saúde Animal no controle e na erradicação de doenças.

“O fato de o Brasil nunca ter apresentado nenhum caso de febre aviária é decisivo para a procura pelo nosso produto”, afirma Santin. O Plano Nacional de Prevenção da Influenza Aviária e de Controle e Prevenção da Doença de Newcastle, oficializado em 2006, foi o responsável pela criação de barreiras de higiene, modernização de laboratórios e treinamento de pessoal. Com isso, compradores internacionais se deparam com instalações e equipamentos de laboratórios aptos a realizar a vigilância de doenças avícolas e a eficiência do serviço veterinário, além de mão de obra qualificada. As granjas passaram a investir, também, em tecnologia, visando garantir o bem-estar animal.

Genética

Com uma das granjas mais modernas do Brasil, a Bonasa, do Distrito Federal, trabalha na produção de ovos férteis e pintos de um dia. A produção mensal é de 19 milhões de unidades, aproximadamente, sendo que 50% são comercializados como ovos férteis para incubação. A outra metade é incubada para venda de pintinhos. Além de abastecer clientes de todo o Brasil, a empresa exporta para países como os Emirados Árabes Unidos, Senegal e Zimbábue. “Para 2018, nossa meta é aumentar as vendas nacionalmente e também incrementar as exportações, atingindo outros mercados em que não atuamos ainda, como a Arábia Saudita”, explica o gerente comercial, Thiago Rezende.

O processo de produção da empresa inclui uma estrutura com 28 fazendas, distribuídas em Goiás e no DF, gerando 880 empregos diretos, fora os indiretos. Para maximizar os resultados da produção, a Bonasa investe em genética, monitoria laboratorial, controle de qualidade de matéria-prima e em treinamentos e aperfeiçoamento técnico da equipe. Contribuem, também, para a alta produtividade da empresa do DF a eficiência dos processos, padronização de todos os procedimentos de manejo e o acompanhamento de indicadores de qualidade e produtividade, de acordo com as metas estabelecidas conforme o potencial genético da ave.